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Filósofo grego (384 a.C. - 322 a.C.)
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Nascido no reino da Macedônia (norte
da Grécia), Aristóteles mudou-se para Atenas aos 17 anos,
onde estudou sob a orientação de um dos mais famosos
filósofos de todos os tempos: Platão.
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A escola dirigida por Platão
denominava-se Academia, e Aristóteles nela permaneceu por
cerca de vinte anos. Com a morte do mestre, preferiu
deixá-la, dizendo-se insatisfeito com a pouca importância
que ali vinha sendo dada ao estudo da natureza.
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Viajou então por várias parte do
mundo grego, que na época era bem mais vasto do que hoje,
alcançando, entre outras regiões, o sul da Itália e a
Ásia Menor. Foi nesta última região que Aristóteles se
fixou por alguns anos. Ali ele se casou e pôde se dedicar a
seus estudos preferidos, até ser chamado de volta à sua
terra natal. O novo rei da Macedônia queria que ele cuidasse
da educação do seu filho mais velho, tarefa que
Aristóteles desempenhou por muitos anos. Só deixou a
Macedônia quando seu aluno já tinha sido aclamado rei.
Futuramente, ele passaria à história como Alexandre, o
Grande, devido a suas conquistas territoriais, que incluiriam
não só a própria Atenas, mas também a Pérsia.
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Retornando a Atenas, Aristóteles
criou sua própria escola, chamada Liceu, além de organizar
uma biblioteca de manuscritos.
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Quando Alexandre morreu, Aristóteles
achou mais prudente deixar a cidade. Temia uma reação dos
macedônios contra ele, pois chegou a ser acusado de ofensa
religiosa, o que poderia levá-lo a ser condenado à morte
(tal como já ocorrera com o ateniense Sócrates meio século
antes). Vivendo numa ilha do Mar Egeu, morreria apenas um ano
mais tarde.
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Os escritos de Aristóteles perfazem
grande número de volumes (consta que 150, aproximadamente) e
versam sobre assuntos variados: da ciência, política e
ética à crítica literária. Desses trabalhos, cerca de
dois terços desapareceram. Mesmo os que chegaram até nós
ficaram perdidos por séculos, por vezes em mais de uma
ocasião. Muitos deles só atravessariam a Idade Média
traduzidos para o árabe.
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Em seus estudos da natureza,
Aritóteles dedicou especial atenção aos seres vivos.
Chegou a fazer dissecções em algumas dezenas de espécies
animais, classificando cerca de 500 delas de acordo com suas
semelhanças e diferenças. Foi o primeiro a considerar que o
golfinho não era um peixe, pois possuía placenta, como os
mamíferos terrestres. Tal descoberta, porém, seria negada
nos séculos seguintes.
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Seus critérios de classificação,
embora fossem-como era de se esperar-diferentes dos nossos,
levaram-no a concluir que haveria na natureza uma hierarquia
determinada por modificação nos seres vivos. Só Charles
Darwin, em pleno século XIX, voltaria a trabalhar com uma
idéia, vigente em sua época, de que tudo na natureza se
compunha de quatro elementos - ar, água, fogo, e terra -,
mas a eles acrescentou um quinto elemento - o éter -, que
formaria o espaço celeste. Concordou também com a idéia
dos discípulos de Pitágoras de que a Terra e o céu seriam
regidos por diferentes conjuntos de leis, pelas quais a Terra
seria mutável e o lugar "natural": a terra ficaria
embaixo; sobre ela viria a água, depois o ar e por último,
o fogo, que ficaria acima de todos esses elementos. Por causa
dessa ordem "natural", uma pedra (composta
principalmente pelo elemento terra) lançada no ar afundaria
na água, uma bolha de ar subiria num líquido e o fogo
procuraria sempre alcançar o ponto mais alto possível. Isso
levou Aristóteles a concluir que, quanto mais pesado um
objeto, mais rápido ele desceria e, portanto, os corpos
pesados cairiam mais rapidamente que os leves (somente 2000
anos depois Stevin, Galileu e Pascal provariam que essa
idéia era falsa).
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Para Aristóteles, suas conclusões
eram verdadeiras, porque se podia chegar a elas através da
argumentação lógica. Apesar de todas as observações que
fez, ele considerava que a discussão produzia conclusões
mais verdadeiras que os fatos constatados através de
experimentos.
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De fato, Aristóteles pode ser
considerado o criador do estudo da Lógica e seu livro
Organon, que trata desse tema, foi o único, dentre toda a
sua obra, a continuar sendo estudado na Europa após a queda
do Império Romano. Os séculos seguintes não só
esqueceriam as contribuições de Aristóteles ao
conhecimento da natureza como também viriam a utilizar o que
restou de seu trabalho para argumentar contra idéias e
descobertas que as novas mentes procurariam divulgar.
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Texto extraído da coleção Aprendendo Física, Editora
Scipione, 1996.
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